Quem não para o que está fazendo para checar a cada minuto as redes sociais e fica aborrecido por passar horas ouvindo apenas o professor, que atire a primeira pedra!

Criadas em 2004, Orkut e Facebook podem ser consideradas as redes sociais que marcam a explosão desta forma de relacionamento no Brasil, embora não tenham sido as primeiras.

De lá pra cá, o aumento do número de mídias sociais e a popularização dos smartphones, trouxeram à tona um problema que não é novo, mas que ganhou um tempero adicional com este cenário: a falta de foco e interesse, principalmente (mas não exclusivamente!), dos estudantes.

Pesquisa publicada no periódico científico Computers in human behavior (Karpinski, 2012), conduzida com universitários norte-americanos e europeus, mostrou que o aspecto preponderante para a diminuição do desempenho acadêmico dos estudantes foi a realização de multitarefas nas mídias eletrônicas. Estes dados corroboram com pesquisas que apontam que o tempo médio de atenção humana vem diminuindo a cada ano.

À medida que smartphones entram em ação a cada instante com alertas de mensagens e ofertas imperdíveis, enquanto realizamos outra atividade – como assistir a um filme ou fazer uma lição de casa – nosso cérebro precisa monitorar diferentes estímulos e não é possível voltar instantaneamente para a tarefa que foi interrompida. Precisamos de um tempo. Apertamos a tecla << do controle remoto, relemos mais uma vez o enunciado da questão. E aumentamos ainda mais a dificuldade de concluir a tarefa.

Outro aspecto a ser considerado em relação à comunicação nas redes sociais e o impacto na nossa concentração é a redução dos tempos de propaganda e o aumento das notícias fastfood. Conforme vamos nos acostumando a “passar os olhos” em um texto e expressar opiniões com base em pílulas de notícias, criamos uma falsa competência multitarefa e alimentamos nossa impaciência por aprofundamento e densidade de conteúdo.

O resultado deste estilo de vida, já alardeado por psiquiatras e neurocientistas, é um misto de aumento dos níveis de ansiedade com prazeres efêmeros gerados pela produção de dopamina em consequência das horas gastas ao rolar um feed no Facebook ou no Instagram.

Mas voltando o nosso olhar para a sala de aula, há diferentes razões para a desmotivação dos estudantes contemporâneos e, muitas delas, não estão relacionadas à vinda dos aparelhos eletrônicos e das redes sociais. Com aulas ainda centradas no professor e conteúdos que não se aproximam das necessidades e desejos dos estudantes, perderemos esta luta!

Mas, como dar-se por vencido não combina nem um pouco com o trabalho de um educador, a cada dia buscamos novas formas de trazer a tecnologia digital e o uso das redes sociais como aliados do processo educacional. E o que tenho a testemunhar sobre isso, é que esta é uma escolha, no mínimo, inteligente.

Portanto, algumas estratégias podem ser definidas para auxiliar os professores no desafio de ajudar seus alunos a manterem o foco em suas atividades escolares e estabelecerem práticas educacionais mais inovadoras e significativas.

Promover atividades que valorizam as metodologias ativas e que coloquem os alunos para participarem mais e assistirem menos é fundamental. O protagonismo estudantil deve ser a base para aumentar o foco e o engajamento do estudante. O professor pode, por exemplo, no lugar de trazer informações sobre determinado assunto, criar um mural digital interativo colaborativo para que os próprios alunos, orientados com relação às fontes bibliográficas, criem este conteúdo.

Outra dica valiosa é a criação de vídeos que abordem ideias a serem compartilhadas ou mesmo temas específicos de algum componente curricular. Crianças e jovens de hoje em dia adoram produzir conteúdos para redes sociais. Mesmo aqueles que não gostam de aparecer na telinha, podem ser bons roteiristas ou editores de vídeos e todas estas aprendizagens são válidas.

Permitir o uso de dispositivos móveis ou até mesmo fornecer equipamentos individuais durante as aulas pode não parecer uma boa ideia à primeira vista, mas a iniciativa pode trazer mais benefícios do que problemas. Em nossas escolas, alunos que receberam chromebooks ou dispositivos semelhantes para utilização individual e diária nas aulas, demonstraram maior comprometimento, senso de responsabilidade e organização do que antes desta experiência.

Conhecer o que o aluno quer aprender e não apenas focar no que o professor deseja ensinar, é o caminho para alcançar a necessária aprendizagem significativa. Desse modo, os estudantes serão capazes de reconhecer a importância do objeto de estudo para a sua vida cotidiana.

Estabelecer regras claras e esclarecê-las aos estudantes, considerando que ainda são pessoas em formação, é uma necessidade para o sucesso destas iniciativas. Crianças e jovens ainda precisam da mediação do adulto para usar com sabedoria os dispositivos eletrônicos e aproveitar todos os benefícios de sua utilização, escapando dos riscos que estes são capazes de oferecer. 

Por fim, mas não menos importante, a parceria da família é fundamental para o estabelecimento de bons hábitos concernentes ao uso das mídias digitais. Se em casa o jantar pode acontecer enquanto cada um verifica seus dispositivos a cada minuto e se todos vão para a cama com seus celulares, não há como a escola resolver todas as questões. 

Que fique, então, a seguinte lição: as tecnologias digitais são aliadas no processo educacional, desde que façamos um bom uso delas. 

Lucimar Motta,
Assessora Pedagógica do Sinergia Educação

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